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CINEMA: O MECANISMO, DA NETFLIX: IMPRESSÃO SOBRE O PRIMEIRO EPISÓDIO



Por Gomes de Melo.


De volta ao nosso bate-papo quinzenal, vamos falar de uma série da Netflix que estreou na semana passada e que está causando muita polêmica nas redes sociais e no meio político. Trata-se de O Mecanismo, estreada por Selton Mello, Caroline Abras e criada por José Padilha. A série dá um tratamento ficcional, em sua primeira temporada, ao começo da Operação Lava Jato, com base no livro Lava Jato: O Juiz Sergio Moro e Os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil, de Vladimir Netto.
Após assistir ao primeiro episódio, cheguei à conclusão de que O Mecanismo é uma série que precisa ser analisada com cuidado. Primeiro e, acima de tudo, é preciso pontuar que ela uma obra ficcional baseada em eventos reais. Ou seja, não assista à série pensando em ver detalhes reais da Operação Lava Jato. José Padilha e sua equipe misturam fatos de diferentes governos para efeitos dramáticos, mudam nomes de personagens e, de novo, se baseiam na realidade para criar uma ficção. Porém, é clara a referência aos personagens envolvidos nos escândalos de corrupção.
Para contar essa história, o cineasta conta com dois protagonistas: Marco Ruffo (Selton Mello) e Verena (Caroline Abras), que divide com Mello a função de narrar a história – algo que o diretor já havia feito nos dois Tropas de Elite e em Narcos.
Depois de ver esse primeiro episódio, pude constatar que a série contará com boas atuações, mas é impossível não destacar o doleiro Roberto Ibrahim, interpretado por Enrique Díaz, em atuação que imediatamente me lembrou a de Robert Knepper como T-Bag, em Prison Break, ou seja, um bandido safado e cafajeste moldado para que o odiemos, mas ao mesmo tempo que o amemos. Isto é, um homem com total controle sob o que está fazendo, uma pessoa extremamente carismática e age de uma maneira tão natural que ofusca qualquer outro que apareça ao seu lado.
O Mecanismo é uma série com potencial, mas que não é plenamente realizado aqui. Ela incomoda? Certamente. É feita para isso. Portanto, inevitavelmente, ela cumpre sua função e o boicote sugerido pelos líderes do PT só ajuda seu IBOPE. É torcer para que Padilha saiba isolar o que a primeira temporada teve de bom e caprichar de verdade na próxima. Pois material é o que não falta, infelizmente… Ideias políticas à parte – isso fica a critério de cada espectador julgar se apoia ou não o que foi apresentado.
Atenção: Dia 06 de abril estréia a segunda parte de "La Casa de Papel", a qual achei bem mais interessante e envolvente. Até a próxima!




Gomes de Melo.
Contatos: jgmelo76@yahoo.com.br; jgmelo_76@hotmail.com.



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